terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Retrato de Ansiedade

Parecia que tudo se havia reunido num sorriso súbito, um sorriso liberto do coração, preso nos lábios. Sentia-se orgulhosamente mulher, com uma confiança e vaidade desmedidas, como se trouxesse nas roupas femininas toda a vontade colossal de viver. No rosto uma normalidade falsa, nos olhos uma ansiedade única. Sentia-se curiosamente feliz e nenhuma máscara senão a da própria felicidade a poderia esconder. A rádio tocava músicas pouco comuns ao quotidiano, mas apetecia-lhe ouvir músicas diferentes do habitual, enquanto fazia do assento do automóvel a sua espera. E era como se repentinamente não houvesse rádio, mas houvessem orquestras sinistras no coração, onde batidas ansiosas ecoavam pelo miocárdio e se repetiam nos olhos, num brilho incomum.



Sobre os olhos, o lápis preto desenhara um traço de realce, como se não fosse os olhos que quisesse marcar, mas sim a sua presença. Ela vestiu o coração de esperança, como se o verde dos olhos estivesse subitamente trancado também no coração. Arranjou o cabelo. Reparou no realce dos olhos e gostou do verde deles, como se subitamente eles fossem frutos verdes. Ela sentia-se extremamente criança, trancada numa casa de bonecas, onde o mundo da fantasia girava ao redor dos seus cabelos negros. Sentia uma felicidade infantil. Tinha medo, ansiedade, mas também esperança. Caminhou pelo corredor. Disseram-lhe que estava bonita como nunca. Apreciaram-lhe a roupa. E ela caminhou pelo corredor, com o coração a bater, nas músicas descontroladas de um uma ansiedade amorosa que o seu coração contratara contra a sua vontade, mas que lhe sabia bem. Trazia na expressão facial um olhar triunfante, feliz, nas maçãs do rosto um tom avermelhado. Sorriu para si mesma. Ao seu lado, as amigas, para uma segurança única que só ela sentia. Caminhou, sentia o seu rosto quente, como cerejas, deliciosamente maduros. Sentia vergonha, mas também uma auto-estimava invulgar. E caminhava, com o olhar entre o triunfante e o envergonhado, numa vontade súbita de correr enfrente e a de voltar a correr para trás. Mas não, ela não iria para trás, não o poderia fazer, o coração não lho permitia, nem ela o queria. Ao fundo, a porta. Aguardou que a abrissem. Enquanto isso, pousou o olhar no chão. Lá em baixo, nos seus pezinhos 36, as favoritas All Stars. Sentia-se bem para si mesma com elas. As All Stars eram os seus sapatinhos de cristal como Cinderela moderna. E ela voltou a sorrir para si mesma, e a porta abriu-se, lá dentro, a sua esperança, a sua ilusão.

O AMOR PELO AMOR


 Esquecer que se está sozinho. Que a cama está vazia e que, mesmo assim, não te apetece sair dela. A chuva bate na janela como se alguém chamasse por ti constantemente.

Reviras-te e aninhas-te de novo no teu mundo.
Fartaste-te de ter alguém só por ter ou porque sabe bem simplesmente saber que se tem alguém.

Tu... És como eu. Fartaste-te da banalidade com que se usa a palavra amor. E agora já nem sequer a pronuncias a ninguém. Se perdeste o significado dela? Se desacreditas nos que ta disseram ao longo dos tempos? Não sei.

O Amor pelo Amor...
Esquece as palavras!
Ouve o som das gotas de chuva que suplicam por um olhar teu.
Sente o calor dos raios de sol que se rasgam intensamente só para sentirem o toque da tua pele.
Abre os braços e abraça o vento, porque ele sopra louco na ânsia de te encontrar.
Faz castelos na areia, mergulha no mar, passeia pelo campo, sente o cheiro das flores... Porque todos mostram o seu esplendor só para ti.
Esquece tudo, esquece todas as banalidades do dia-a-dia, esquece as conversas de ocasião, esquece os compromissos, as promessas, as desilusões, esquece.

Ama sem medo, sem receios.

Eu estou farta desta censura. Aborrece-me que todos me digam que devia fazer "assim ou assado", porque lhes custa quando me vêm sofrer.
Mas o que é afinal o amor sem sofrimento? Será que ainda acreditam em contos de fadas?

Eu acredito em ti, só em ti se existires e acreditares no que digo não só por dizer. No que sinto sem receio de o continuar a sentir.

Umas lágrimas aqui, outras ali. Umas noites sem dormir. O jantar que se esqueceu. O ar pálido de saudade. Tudo em vão, dizem-me...

Mas eles não viram, não sentiram o suave toque da tua pele. O teu sorriso brilhava de tantas e tantas formas em cada momento que me olhavas. Não sabem, não sentem a beleza do que me disseste tantas vezes com um simples olhar.

Censuram-me, dizem-me que devia ter alguém, que fique sempre, alguém que me dê estabilidade. Mas nunca me perguntaram se era isso que eu queria. Não é. Quero apenas guardar-te comigo. Não como uma caixinha de jóias ou como um objecto qualquer. Quero guardar-te como és.
Perguntam-me se todos os riscos, ou todo o sofrimento é compensado pelos breves momentos em que existimos juntos... Nesta utopia.
A minha resposta é um sorriso mudo.
Se me perguntares o significado da palavra amor, não to saberei decerto dizer.
Sei uma coisa, tal como a chuva, o sol, o vento sabem de mim...

O Amor pelo Amor não se exprime por palavras.



(E aqui fica este espaço em branco para que saibas que é aqui, nele, que está exprimido o meu amor por ti)

Até quando amor?

Muito além de mim está o teu amor e não quero insistir novamente para tu voltares. Tudo aquilo que sentimos um pelo outro, tudo aquilo que vivemos, ficou num passado, agora distante, cada vez mais distante de nós mesmos. Não sei se ainda olhas o mesmo o céu que eu, não sei se procuras a mesma estrela que ambos olhávamos quando nos abraçávamos em noites quentes de verão, nem sei se ainda procuras o luar que iluminava o nosso amor ou se depois de tudo ainda sentes as mesmas saudades que eu sinto.




Tudo me parece tão distante, até mesmo a felicidade que eu sentia cada vez que te ouvia ou quando para mim sorrias. Felicidade essa que um dia gostava de voltar alcançar, mas não posso. Deixaste-me para trás na tua vida, esquecendo os nossos momentos mais vividos e mesmo assim, não quero que fiques na história do passado, quero simplesmente que sejas o meu amor de agora, porque amanhã nada sabemos.



Vem, ama-me e se quiseres podes depois partir, vamos ao menos viver momentos de amor porque os meus sentidos sabem que é para os teus braços onde mais quero ir, os meus pés ainda estão presos no chão por onde ando e não por onde tu hoje caminhas, os meus dias sem a tua presença fazem-me sentir que embora haja sentimentos, o meu maior desejo é poder estar diante da realeza da tua companhia, o meu maior desejo é poder viver contigo os teus mais preciosos desejos e mesmo que te encontres fora do alcance das minhas mensagens, lembro-me das palavras que proclamavas com a doçura da tua voz. Os teus lindos olhos azuis para mim não representam miragens e como fiel apaixonado ergo os meus olhos na procura de ajuda ao olhar as estrelas do céu para encontrar a musa encantadora para este coração não se sentir tão sozinho.



Antes de fechar os meus olhos diante do cansaço do dia, a noite vai-me convidando a repousar, mas ainda tenho tempo de pedir à mão Divina do destino que te acompanhe e abençoe os teus passos. Quanto a mim tu já sabes que aqui longe de ti ficarei a sonhar contigo, fazendo parte de cada pensamento. Tu sabes, nem preciso repetir que és o meu maior tesouro, és o meu cristal cujo preço é de incalculável valor, és uma pessoa especial que ao cruzares o meu caminho foste a única a conseguir mudar a minha trajectória. Para ti reservo o meu mais belo e o mais puro amor, para ti estou a reservar os meus melhores dias, por ainda não ter conhecido no Mundo nenhum sorriso tão meigo, nem ninguém que me desse prazer em quantidade suficiente que se aproximasse daquele que davas ao sentir apenas a tua presença na minha vida.



Todos os caminhos levam-me a ti, único amor dos meus dias, dos anos de vida, das horas de saudade, encantos, sonhos e magias contidas nas letras vivas da alma. Até quando amor?

Amor ou Medo?

Entre estas duas escolhas, acho que pensando bem optei por escolher o medo. O medo que tinha em te perder, o medo de não satisfazer as tuas necessidades, o medo de não ser suficiente para ti durante todo o tempo em que estivemos juntos. Também senti amor, porque sinto saudades tuas e essas saudades ainda doem, mesmo na dor, sinto amor. Quando sinto a tua falta, a falta que me fazes, ainda sinto a dor de não te ter, é quando o medo surge. Medo de perder, medo de não te voltar a ter, mas são nesses momentos que eu penso o quanto te amo, mesmo que estejas distante. Sinto esse amor profundamente dentro do meu peito e toda a tristeza se desvanece.




Mesmo que exista algo que aconteceu no meu dia-a-dia, posso até ficar triste, magoado, infeliz ou angustiado, mergulhando de novo no medo, posso ter medo de sofrer e com isso rejeito a dor que o acontecimento pode me trazer. Só que uma vez mais a escolha pelo amor volta para cima da mesa e penso que aquele acontecimento foi apenas um veículo para provocar algumas lágrimas que estavam já algum tempo prontas para descer pelo meu rosto, dando-me a oportunidade de vivenciar uma dor mais antiga do que eu possa ter imaginado e chegue à conclusão que afinal não me és tão indiferente como podia acreditar. Opto por escolher o amor, opto por amar a consciência que tenho hoje e os acontecimentos tristes surgem para que eu possa fazer o luto das tristezas antigas.